09 outubro 2019

Manchas de óleo são detectadas na foz do São Francisco; falta de boia atrasa plano de contenção

Técnicos ambientais de Alagoas detectaram na manhã desta quarta-feira, 9, manchas de óleo na foz do rio São Francisco, no município de Piaçabuçu, no litoral Sul de Alagoas, durante monitoramento de rotina feito por profissionais do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Capitania dos Portos e Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

A detecção ocorre no mesmo dia que o governo do Sergipe descobriu que não poderá realizar de imediato seu plano de instalar boias para tentar impedir que o óleo chegue ao rio pelo fato de os equipamentos não estarem disponíveis.
A foz do São Francisco fica na divisa entre Alagoas e Sergipe. Na terça-feira, 8, o governo sergipano declarou que usaria boias absorventes cedidas pela Petrobrás para conter o avanço do óleo pelo rio. Nesta quarta, no entanto, o governo estadual foi informado pela direção da estatal que não havia equipamentos disponíveis e que, portanto, o Estado terá de comprar 200 metros de boias, estimadas em R$ 90 mil, de uma empresa do Espírito Santo, o que provavelmente atrasará o plano de contenção.
A informação foi dada pelo diretor-presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Gilvan Dias. Ele acionou os Ministérios Públicos Estadual e Federal e a Justiça Federal pedindo ajuda. Ao mesmo tempo, comunicou o governador Belivaldo Chagas, que o autorizou a comprar imediatamente o equipamento, valendo-se da decretação da situação de emergência.
“Vamos ver se as boias chegam de forma urgente. Ou até o final da tarde de hoje ou amanhã pela manhã", afirmou Gilvan Dias, ao acrescentar que manchas de óleo já foram encontradas, em pequenas quantidades na foz do Rio São Francisco, em Brejo Grande e Pacatuba.
Nesta terça, 8, a Adema informou que os equipamentos viriam de Pernambuco e Maranhão, junto com funcionários de uma empresa terceirizada com expertise neste tipo de serviço. “Conversei com uma equipe de Pernambuco e eles disseram que estão com dificuldade deste equipamento, porque não tem em lugar nenhum. Ficamos de mãos atadas para o pior acontecer”, destacou Gilvan.
Na Petrobrás em Sergipe, Gilvan disse que a direção informou que não é dona do equipamento e nesse momento as boias estão indisponíveis. “Ele não explicou como as boias estão sendo utilizadas neste momento”, contou Gilvan. Segundo ele, “as coisas no Brasil não são levadas à sério". "Não tem uma política que antecipe problemas. Estamos diante de uma tragédia em toda extensão da costa nordestina e não se dá a devida atenção”, criticou.
A Petrobrás em Sergipe foi procurada, mas indicou que a reportagem procurasse o setor de comunicação. Procurada, a assessoria de imprensa ainda não respondeu.

Prejuízos

Por meio de assessoria de imprensa, o IMA de Alagoas informou que o aparecimento do óleo ficou restrito à foz, não chegando a invadir o rio. As manchas foram detectadas um dia depois de uma inspeção aérea feita na região por técnicos dos órgãos envolvidos no monitoramento. Na ocasião, as equipes informaram que as manchas de óleo que atingiram as praias do litoral Sul do Estado não haviam afetado o leito do rio São Francisco até então.
"O grupo não avistou manchas se aproximando da areia, assim como também não observou a presença de manchas significativas nas águas do Rio São Francisco", informou o coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA, Ricardo Cesar de Barros Oliveira.
Ricardo Cesar alertou para a importância de a população evitar o contato direto com o material. "Ao avistar manchas de óleo nas praias é recomendado informar à prefeitura local imediatamente. Em caso de contato acidental, a indicação é aplicar gelo sobre a área e higienizar, utilizando óleo de cozinha", ressaltou.
Duas tartarugas da espécia Lepidochelys olivacea - popularmente conhecida como tartaruga oliva - foram encontradas cobertas pelo produto. Com isso, subiu para 16 o número de animais atingidos, segundo levantamento divulgado hoje pelo Ibama. Apenas quatro deles sobreviveram, segundo o último boletim do IMA.
Desde o dia 02 de setembro, o Ibama vem estabelecendo uma série de ações, juntamente com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (DF), Marinha e Petrobras, com o objetivo de investigar as causas e responsabilidades do despejo, no meio ambiente, do petróleo cru que atingiu o litoral nordestino.
A Companhia de Abastecimento de Alagoas, até agora, não foi convocada a participar da força-tarefa de monitoramento das manchas de petróleo. Por meio de nota, ela informou que o problema não tem afetado a captação de água no Rio São Francisco, e que a fonte de captação é feita em um ponto distante da foz.

A disputa de poder que pode levar à saída de Bolsonaro do PSL

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tornou pública nesta terça-feira (08) uma crise com o comando do partido pelo qual se elegeu no ano passado. Ele também está mal com o presidente nacional da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE).

CONFIRA EM:
FONTE - https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49982426

08 outubro 2019

Vazamento de óleo nas prais nordestinas jé é o maior do Brasil

O vazamento que poluiu praias nos nove Estados do Nordeste já é o maior episódio, em termos de extensão, de vazamento de óleo vindo de uma mesma origem. Essa é a avaliação de David Zee, professor da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio (Uerj). Até esta segunda-feira, pelo menos 132 pontos do litoral do Nordeste foram atingidos pela mancha. E, segundo ele, pode levar de dez a 20 anos para que todo o resídio seja eliminado do oceano.

Adema/Governo de Sergipe
"Para cobrir de manchas de óleo do Maranhão até o norte engenheiro ambiental. "Nunca tive notícias de um derrame desses antes no Brasil, só se compara ao que aconteceu em Macondo (golfo do México)", acrescenta. O governo federal investiga a origem do óleo, avistado em mais de 2 mil quilômetros da costa brasileira, mas informa que análises já indicam que o produto não foi fabricado no Brasil.
Especialista em manejo de ecossistemas costeiros, Zee lamenta o impacto do episódio no ecossistema marinho da região. Além de liberar substâncias tóxicas na água e de impregnar na pele dos animais, o óleo menos denso fica na superfície e bloqueia a radiação solar, impedindo os fitoplânctons de fazer a fotossíntese necessária à manutenção da vida marinha. Sem contar os prejuízos aos mangues, considerados os berçários do oceano.
O professor estima que, pela quantidade de óleo encontrado e pelo nível de contaminação, deva levar pelo menos de 10 a 20 anos para que todo o resíduo de óleo seja eliminado do mar. "Em alguns locais da Bacia de Ilha Grande, aqui em Angra dos Reis (RJ), ainda vemos marcas de óleo em pedras de desastres que aconteceram há cinco, dez anos", lamenta.
Mais de 100 toneladas de poluente já foram recolhidas, diz governo
"Isso afeta quem usa o mar para navegar, quem usa para se alimentar, afeta o turismo dessas regiões, afeta a economia", afirma Zee. Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o vazamento de óleo traz prejuízo ao turismo, mas que o governo tem feito ações para remover o poluente. Mais de 100 toneladas de óleo já foram recolhidas das praias nordestinas.
"O mar oferece inúmeros serviços à humanidade mas, para todos receberem seus benefícios, é preciso haver convivência harmônica, por meio da fiscalização, do controle e da ciência", defende o especialista.

FONTE: https://www.msn.com/pt-br/noticias/meio-ambiente/mancha-em-praias-do-nordeste-já-é-o-vazamento-de-óleo-de-maior-extensão-do-país-diz-especialista/ar-AAIrATF?ocid=spartanntp